MEI Pode Ter Restaurante? Regras, Limite de Faturamento e Quando Migrar em 2026

Publicado em 27/04/2026 Por equipe SisFood Leitura: 9 min
Dono de pequeno restaurante MEI organizando pedidos no caixa

Se você abriu uma marmitaria, uma lanchonete ou está pensando em montar um pequeno restaurante, uma dúvida aparece logo no começo: MEI pode ter restaurante? A resposta curta é sim, mas com limites bem definidos. E entender esses limites é o que separa quem cresce de forma organizada de quem leva multa da Receita Federal lá na frente.

Neste guia direto e atualizado para 2026, você vai entender exatamente o que o MEI permite, quais CNAEs servem para restaurante, qual o teto de faturamento e o momento certo de sair do regime antes que ele vire um problema na sua operação.

Resposta rápida: MEI pode ter restaurante?

Sim, MEI pode ter restaurante, desde que seja uma operação pequena: faturamento de até R$ 81.000 por ano (limite vigente em 2026), no máximo 1 funcionário registrado e atividade enquadrada em um CNAE permitido — como lanchonete (5611-2/03) ou marmitex (5620-1/04).

Não pode quando o restaurante cresce, ultrapassa esse faturamento, precisa de mais funcionários ou opera em escala maior. Nesses casos, o caminho é migrar para Microempresa (ME) no Simples Nacional.

MEI pode ter restaurante? Entenda o que é permitido

O Microempreendedor Individual foi criado para formalizar pequenos negócios — não para sustentar restaurantes médios ou grandes. Por isso, quando alguém pergunta se MEI pode ter restaurante, a resposta exige um pouco de contexto operacional.

Na prática, o regime cabe muito bem em três tipos de operação no food service:

Restaurante grande não cabe no MEI

Aqui está o ponto que muita gente ignora: um restaurante com salão amplo, vários garçons, cozinha estruturada e movimento alto no horário de pico simplesmente não fecha a conta dentro do limite de R$ 81 mil por ano. Em uma operação assim, o ticket médio multiplicado pela quantidade de pedidos diários estoura o teto em poucos meses.

É por isso que pequenos restaurantes de bairro frequentemente começam como microempreendedor individual, mas migram para Microempresa logo no primeiro ou segundo ano de funcionamento.

CNAEs permitidos para restaurante no MEI

O CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) é o que define oficialmente o que sua empresa faz. No food service, alguns códigos são liberados para o microempreendedor e outros não. Escolher o CNAE certo evita problemas com a Receita, vigilância sanitária e até com o iFood — que aceita apenas algumas classes específicas.

Código CNAE Atividade Quando usar
5611-2/03 Lanchonetes, casas de chá, sucos e similares Hamburgueria, açaiteria, lanchonete de bairro, fast food simples
5620-1/04 Fornecimento de alimentos preparados para consumo domiciliar Marmitex, marmitaria fitness, comida congelada, delivery de refeições
1091-1/03 Fabricação de produtos de padaria e confeitaria Padaria pequena, confeitaria, salgaderia caseira
4721-1/02 Comércio varejista de doces, balas, bombons e semelhantes Doceria, loja de doces e sobremesas
Atenção ao CNAE 5611-2/01 (restaurantes e similares): esse código também aparece em consultas, mas o sistema PDV de um restaurante completo (com salão, garçom e ticket médio maior) costuma estourar o teto do MEI em poucos meses. Na prática, o caminho mais seguro para quem quer começar pequeno é abrir como lanchonete (5611-2/03) ou marmiteiro (5620-1/04).
Tabela com CNAEs permitidos para restaurante MEI no Brasil

Posso ter mais de um CNAE?

Sim. O MEI pode registrar 1 atividade principal e até 15 atividades secundárias. Isso é útil quando o pequeno restaurante vende, por exemplo, marmita no almoço, salgado à tarde e atende delivery. Você define o CNAE principal pelo que mais gera receita e cadastra o resto como secundário.

Limite de faturamento do MEI em 2026: R$ 81.000 por ano

O limite MEI 2026 permanece em R$ 81.000 anuais, valor em vigor desde 2018. Não houve reajuste neste ano, apesar de projetos no Congresso (PLP 108/21, que pretende elevar o teto para R$ 130 mil, já com regime de urgência aprovado na Câmara) ainda em tramitação. Até que algum desses projetos seja sancionado, vale o teto atual.

📊 Faturamento MEI restaurante em 2026:
• Limite anual: R$ 81.000
• Média mensal de referência: R$ 6.750
• Pode faturar mais em um mês e menos em outro — o que conta é o total do ano
• DAS mensal (comércio): R$ 75,90 (valores atualizados conforme salário mínimo de 2026)

Não existe teto mensal — só anual

Esse é um detalhe importante na operação do caixa. Você pode faturar R$ 10 mil em dezembro (mês de festas, com mais pedidos) e R$ 4 mil em fevereiro, sem problema nenhum. O que a Receita olha é a receita bruta acumulada nos 12 meses do ano-calendário.

E se eu abrir o MEI no meio do ano?

Nesse caso, o limite é proporcional. A conta é simples: R$ 6.750 multiplicado pelo número de meses ativos no ano. Por exemplo, quem abre em junho tem 7 meses ativos (junho a dezembro), então o teto vira R$ 47.250 para aquele primeiro ano.

⚠️ Cuidado com a Resolução CGSN 183/2025: rendimentos recebidos no CPF relacionados à mesma atividade do MEI também entram no cálculo do faturamento anual. Se você vende marmita por fora, sem nota, e também tem MEI, esses valores podem ser somados em uma fiscalização.

Quando o MEI não é mais suficiente para o seu restaurante

Esse é o ponto que mais pega gente desprevenida. O microempreendedor é um regime de partida, não de chegada. Quando o restaurante cresce, ele aperta de várias formas ao mesmo tempo:

Quando dois ou mais desses sinais aparecem juntos, é hora de planejar a saída do regime. Continuar forçando o software para restaurante a operar dentro de um teto que já não cabe é receita certa para problemas com a Receita Federal — e em 2024, mais de 570 mil microempreendedores foram desenquadrados por excesso de faturamento.

Quando sair do MEI: sinais claros de que chegou a hora

Migrar para Microempresa (ME) parece complicado, mas é o passo natural de quem está vendendo bem. Os sinais para fazer essa transição são bem objetivos:

1. Faturamento se aproximando de R$ 70 mil ao ano

Se em outubro o seu acumulado já passou de R$ 65 mil, é quase certo que o ano vai fechar acima do teto. Antecipar a migração evita o estresse do desenquadramento retroativo.

2. Crescimento estruturado

Quando o restaurante já tem fluxo previsível, contratos com fornecedores e marca consolidada no bairro, o MEI vira camisa apertada. Como ME no Simples Nacional, você pode ter até R$ 360 mil de faturamento anual e contratar quantos funcionários precisar.

3. Necessidade de automação real

No começo, controlar pedidos no caderno funciona. Mas quando entram pedidos do iFood, do salão e do balcão ao mesmo tempo no horário de pico, sem um sistema de gestão para restaurante o caos toma conta. Crescer exige ferramenta — e ferramenta precisa de regime fiscal compatível.

💡 Vantagens de migrar para ME: emissão de NF-e completa, mais de um funcionário, ticket médio sem teto, parcerias B2B, acesso a crédito empresarial e operação compatível com sistemas de PDV profissionais.

MEI para marmitaria: por que é o melhor formato para começar

Se tem um modelo de negócio que combina perfeitamente com o microempreendedor, é a marmitaria. O MEI para marmitex funciona bem porque a estrutura é enxuta, o investimento inicial é baixo e a operação é controlável.

Por que faz sentido começar como marmiteiro MEI

Na prática, dá para fazer 30 marmitas por dia a R$ 18 cada, vendendo só de segunda a sexta. Isso dá cerca de R$ 10.800 por mês — e mesmo nesse volume, é preciso atenção ao acumulado anual para não passar do teto.

Marmitaria pequena MEI organizando entregas de delivery

Impostos do MEI para restaurante: o que está incluído

A maior vantagem do regime é o valor fixo mensal, conhecido como DAS-MEI. Para quem tem restaurante, marmitaria ou lanchonete (atividade de comércio com ICMS), o valor em 2026 fica assim:

Atividade Valor mensal (DAS) O que está incluído
Comércio (ICMS) — lanchonete, marmitaria R$ 75,90 INSS (5% do salário mínimo) + R$ 1,00 de ICMS
Serviços (ISS) R$ 80,90 INSS (5% do salário mínimo) + R$ 5,00 de ISS
Comércio e serviços R$ 81,90 INSS + R$ 1,00 de ICMS + R$ 5,00 de ISS

Pagando o DAS em dia, você tem direito a aposentadoria por idade, auxílio-doença, salário-maternidade e pensão por morte para a família. Comparado a uma Microempresa, em que os impostos do Simples começam em 4% sobre o faturamento, o regime do microempreendedor é absurdamente mais barato — desde que o volume comporte.

Erros comuns de quem abre restaurante MEI

Na rotina de pequenos restaurantes que se cadastram no SisFood, alguns erros se repetem. Vale conhecer antes para não cair neles:

1. Achar que pode faturar ilimitado

O microempreendedor é um regime simplificado, não um cheque em branco. Receita bruta é o total que entra — Pix, cartão, dinheiro, iFood, marketplace. Não tem como descontar custo, fornecedor nem aluguel. Tudo entra na conta.

2. Não acompanhar o faturamento mês a mês

Esse é o erro mais caro. Sem controle, em outubro você descobre que já passou do teto em julho. Ter um sistema de gestão de restaurante que mostre o acumulado anual em tempo real evita susto no fechamento de caixa.

3. Vender sem nota e achar que "não conta"

Conta. Maquininha de cartão, iFood, Pix recebido como pessoa jurídica — tudo é informado à Receita. A fiscalização cruza dados com e-Financeira, marketplaces e operadoras. Em 2024, mais de meio milhão de microempreendedores foram desenquadrados justamente por essa razão.

4. Crescer sem migrar

Vender bem é ótimo — mas crescer dentro de um regime que não comporta gera multa, juros Selic e desenquadramento retroativo. Se o restaurante está bombando, organize a migração antes que a Receita organize por você.

5. Confundir CNAE

Abrir como "restaurante" (5611-2/01) quando na verdade você opera uma lanchonete pode causar problemas com vigilância sanitária e até com o iFood, que valida a categoria do CNPJ.

🎯 Dica de operação: mesmo sendo MEI, organizar caixa, estoque e pedidos com um sistema de PDV adequado faz diferença direta no lucro. Erro de troco, marmita perdida no delivery e estoque mal controlado comem margem de quem já trabalha com pouco. Operação organizada cresce; operação no caderno se perde.

Perguntas frequentes sobre MEI restaurante

MEI pode vender comida?
Sim. O microempreendedor pode vender comida desde que escolha um CNAE permitido — como lanchonete (5611-2/03), marmitex (5620-1/04) ou padaria (1091-1/03) — e respeite o limite anual de R$ 81 mil. Também é obrigatório seguir as normas da vigilância sanitária para alimentação.
Quanto um MEI pode faturar por mês em 2026?
Não existe limite mensal fixo. O teto é anual: R$ 81.000 em 2026, o que dá uma média de R$ 6.750 por mês. Você pode vender R$ 12 mil em dezembro e R$ 4 mil em fevereiro, desde que a soma do ano não passe de R$ 81 mil.
Posso ter funcionários sendo MEI?
Sim, mas apenas 1 funcionário registrado, recebendo salário mínimo ou o piso da categoria. Se o restaurante já precisa de cozinheiro, atendente e motoboy, é hora de migrar para Microempresa.
MEI pode ter restaurante grande?
Não. O regime foi desenhado para operações pequenas: até R$ 81 mil de receita por ano e 1 funcionário. Restaurantes com salão amplo, equipe completa e ticket médio elevado precisam operar como ME (Microempresa) ou EPP (Empresa de Pequeno Porte).
O que acontece se passar do limite do MEI?
Depende do quanto você passou. Se ultrapassou em até 20% (até R$ 97.200), você paga um DAS complementar sobre o excedente e migra para ME no ano seguinte. Se passou de 20%, o desenquadramento é retroativo a janeiro do ano corrente, com recálculo de impostos pelas alíquotas do Simples Nacional, multa e juros pela taxa Selic.
MEI pode atender pelo iFood?
Pode. O iFood aceita CNAEs das classes 5611, 5612, 5620 e 4721, todos compatíveis com o microempreendedor. Mas atenção: o aplicativo informa todas as movimentações à Receita, então o controle do limite anual precisa ser rigoroso.
Preciso emitir nota fiscal sendo MEI?
Em 2026, o MEI é obrigado a emitir nota fiscal apenas em vendas para pessoas jurídicas. Para pessoa física, só é obrigatório se o cliente solicitar. A partir de 2027, com a reforma tributária, a emissão será obrigatória em todas as transações.
O MEI vai aumentar o limite em 2026?
Até o momento, não. O teto continua em R$ 81 mil. Existe o PLP 108/21, que pretende elevar o limite para R$ 130 mil, e teve regime de urgência aprovado na Câmara. Mas enquanto não houver sanção presidencial, o valor permanece o mesmo.

Conclusão: MEI é ótimo para começar, mas tem prazo de validade

Voltando à pergunta inicial: MEI pode ter restaurante, sim — desde que a operação seja pequena, controlada e com receita anual dentro de R$ 81 mil. Para marmitaria, lanchonete de bairro ou delivery enxuto, o regime é a porta de entrada perfeita: barato, simples e com benefícios previdenciários reais.

O que muda o jogo é entender que o microempreendedor é um ponto de partida. Quando o restaurante começa a crescer — mais pedidos no horário de pico, mais funcionários, ticket médio subindo — o regime aperta. Continuar nele por inércia leva a multas, desenquadramento retroativo e dor de cabeça com a Receita.

A regra prática é simples: monitore o faturamento todo mês, escolha o CNAE correto desde o começo e planeje a migração antes que ela seja imposta. Restaurante saudável é restaurante com previsibilidade — fiscal, operacional e financeira.

Seu restaurante está crescendo? Organize a operação antes do caos.

O SisFood é a plataforma de gestão e automação para restaurantes que cresce com você: do MEI marmitaria até o restaurante com várias unidades. PDV, delivery, controle de caixa, integração com iFood, gestão de estoque e relatórios de faturamento em tempo real — tudo em um lugar só, para você nunca mais ser pego de surpresa pelo limite anual.

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