CFOP Restaurante 2026: Tabela Completa + Como Usar na NF-e e NFC-e
Toda NFC-e que sai do caixa do restaurante carrega um código de 4 dígitos que muita gente nunca parou para entender: o CFOP. Errar esse código não trava a venda na hora — mas trava a vida fiscal do restaurante a médio prazo, gerando inconsistência no SPED, problema na apuração de imposto e risco de autuação.
Este guia traz a tabela CFOP para restaurantes completa, dividida pelas operações reais do dia a dia: venda no balcão, delivery, iFood, devolução, bonificação, transferência entre lojas e operação interestadual. Tudo com explicação prática, sem juridiquês.
📌 Resposta Rápida
O que é CFOP? Código Fiscal de Operações e Prestações — 4 dígitos que identificam o tipo de operação na nota fiscal.
Restaurante usa qual CFOP no balcão? 5.102 na maioria dos casos (venda dentro do estado a consumidor final).
Quando muda? Operações entre estados, devoluções, bonificações e transferências têm CFOP próprio.
O que é CFOP e como funciona em restaurantes
CFOP significa Código Fiscal de Operações e Prestações. É um código de 4 dígitos definido pelo CONFAZ (Conselho Nacional de Política Fazendária) que identifica o tipo de operação em cada item da nota fiscal.
O primeiro dígito do CFOP indica a natureza geral da operação:
| 1º Dígito | Tipo de Operação | Exemplo no Restaurante |
|---|---|---|
| 1 | Entrada dentro do estado | Compra de insumo de fornecedor local |
| 2 | Entrada de outro estado | Compra de bebida importada de outro estado |
| 3 | Entrada do exterior | Importação de vinho ou ingrediente especial |
| 5 | Saída dentro do estado | Venda no balcão e delivery local |
| 6 | Saída para outro estado | Venda interestadual (raro em restaurante) |
| 7 | Saída para o exterior | Exportação (não se aplica em restaurante) |
Na operação típica de restaurante, 95% das notas usam CFOPs que começam com 5 (venda dentro do estado). Os outros aparecem em situações específicas: compra de fornecedor de fora (1 ou 2), devolução de cliente, transferência entre lojas da rede.
Diferença entre CFOP e NCM no restaurante
Essa é uma das confusões mais comuns. Para deixar claro de uma vez:
| Item | NCM | CFOP |
|---|---|---|
| O que classifica | A mercadoria em si | O tipo de operação |
| Quantos dígitos | 8 dígitos | 4 dígitos |
| Exemplo no balcão | 2202.10.00 (refrigerante) | 5.102 (venda no estado) |
| Muda conforme | O produto vendido | A natureza da operação e o destino |
| Origem | Tabela TIPI / NCM Mercosul | Convênio CONFAZ |
Para entender de verdade: imagine vender um refrigerante de 350ml. O NCM dele é sempre 2202.10.00 — não importa para quem você vende, esse código não muda. Mas o CFOP muda: se for cliente do balcão, é 5.102. Se for venda para empresa de outro estado, é 6.102. Se for devolução, é 1.202.
Para entender melhor a parte do NCM, recomendamos a leitura do nosso guia completo sobre tabela NCM para restaurantes.
Tabela CFOP para restaurantes: códigos por operação
Esta é a parte prática. Listamos abaixo os códigos CFOP mais usados no restaurante, organizados pelo tipo de operação. Use como referência para configurar seu sistema de gestão e validar os cadastros existentes.
| CFOP | Descrição | Quando usar no restaurante |
|---|---|---|
| 5.102 | Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros (dentro do estado) | Venda no balcão, delivery próprio, iFood — operação padrão |
| 5.405 | Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros sujeita ao regime de ST | Venda de bebidas e produtos com substituição tributária |
| 5.405 | Venda em ST como contribuinte substituto | Restaurantes que vendem refrigerantes, cervejas e produtos com ST recolhido |
| 6.102 | Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros (fora do estado) | Venda interestadual a consumidor final ou empresa |
| 5.929 | Lançamento efetuado em decorrência de emissão de cupom fiscal | Notas geradas a partir de cupom fiscal (caso de operação consolidada) |
| 5.949 | Outra saída de mercadoria não especificada | Operações atípicas — usar com cuidado e validar com contador |
| CFOP | Descrição | Quando usar no restaurante |
|---|---|---|
| 1.202 | Devolução de venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros (dentro do estado) | Cliente devolveu pedido — restaurante recebe a devolução |
| 2.202 | Devolução de venda de mercadoria (fora do estado) | Devolução de cliente de outro estado |
| 5.202 | Devolução de compra para comercialização (saída) | Restaurante devolve produto ao fornecedor (dentro do estado) |
| 6.202 | Devolução de compra para comercialização (saída interestadual) | Restaurante devolve produto a fornecedor de outro estado |
| CFOP | Descrição | Quando usar no restaurante |
|---|---|---|
| 5.910 | Remessa em bonificação, doação ou brinde (dentro do estado) | Cortesia oferecida ao cliente, brinde, degustação |
| 6.910 | Remessa em bonificação, doação ou brinde (fora do estado) | Brinde enviado para cliente em outro estado (raro) |
| 5.911 | Remessa de amostra grátis (dentro do estado) | Amostra de produto novo para evento ou parceiro |
| CFOP | Descrição | Quando usar no restaurante |
|---|---|---|
| 5.151 | Transferência de produção do estabelecimento (dentro do estado) | Cozinha central manda preparo para outra loja da rede |
| 5.152 | Transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros (dentro do estado) | Loja A transfere refrigerante para loja B no mesmo estado |
| 6.151 | Transferência de produção (interestadual) | Cozinha central de SP manda preparo para loja em MG |
| 6.152 | Transferência de mercadoria de terceiros (interestadual) | Transferência de bebidas entre filiais de estados diferentes |
| CFOP | Descrição | Quando usar no restaurante |
|---|---|---|
| 1.102 | Compra para comercialização (dentro do estado) | Compra de insumo de fornecedor local |
| 2.102 | Compra para comercialização (fora do estado) | Compra de bebida ou ingrediente de fornecedor de outro estado |
| 1.403 | Compra para comercialização sob ST (dentro do estado) | Compra de produto com substituição tributária |
| 2.403 | Compra para comercialização sob ST (fora do estado) | Compra interestadual com ICMS-ST |
| 1.556 | Compra de material para uso ou consumo (dentro do estado) | Compra de material descartável (guardanapo, embalagem) |
CFOP em operações específicas do restaurante
Venda no balcão e atendimento no salão
Operação mais comum. O cliente consome no local e paga no caixa. A NFC-e é emitida com CFOP 5.102 para os itens de mercadoria (comida e bebida) na esmagadora maioria dos casos. Se o item tiver substituição tributária recolhida na origem (refrigerantes, cervejas), pode entrar como 5.405.
Não existe diferença de CFOP entre "comida que vai para a mesa" e "comida que sai pelo balcão". Ambas são saída de mercadoria dentro do estado.
Delivery próprio
Mesmo CFOP da venda no balcão: 5.102. O motoboy entregando no bairro vizinho não muda a natureza fiscal da operação — continua sendo venda dentro do estado a consumidor final. Se por algum motivo o entregador atravessar a divisa estadual e entregar em cidade vizinha de outro estado, aí sim vira 6.102.
Pedido pelo iFood, Rappi e marketplaces
Aqui o ponto é entender quem emite a nota. Se o restaurante emite a NFC-e do pedido vindo do marketplace (caso comum), o CFOP é o mesmo da venda direta: 5.102. O marketplace é apenas o canal — o que está sendo vendido é mercadoria do restaurante para um consumidor final.
Se o marketplace assume a emissão da nota como vendedor (modelo menos comum), aí o restaurante pode emitir nota de venda para o próprio marketplace, com CFOP diferente. Esse cenário precisa ser configurado no contrato e validado fiscalmente.
Cortesia ao cliente, brinde e degustação
Quando o restaurante oferece um item sem cobrar (cortesia para corrigir um pedido errado, brinde de aniversário, degustação de um prato novo), tecnicamente está havendo saída de mercadoria sem cobrança. O CFOP correto é 5.910 (remessa em bonificação, doação ou brinde).
Esse CFOP é frequentemente esquecido na operação. Muitos restaurantes simplesmente "não emitem nota" da cortesia, o que pode gerar inconsistência de estoque com a movimentação fiscal.
Devolução de cliente
Cliente recebeu o pedido, não gostou, devolveu. O restaurante precisa registrar essa devolução. O CFOP é 1.202 (entrada por devolução de venda dentro do estado). Para fins práticos, isso entra como uma "nota de entrada" no sistema, vinculada à nota original.
Transferência entre lojas da rede
Em redes de restaurante, é comum a cozinha central preparar molhos, carnes ou massas e enviar para as lojas. Essa movimentação não é venda — é transferência. O CFOP varia entre 5.151 (transferência de produção própria) e 5.152 (transferência de mercadoria de terceiros), dentro do mesmo estado. Para outros estados, vira 6.151 ou 6.152.
Erros comuns de CFOP em restaurantes
Em fiscalizações reais e auditorias contábeis, alguns erros aparecem com altíssima frequência. Vale conhecer:
Usar 5.102 para tudo
É o erro mais comum. O caixa cadastra todos os produtos com CFOP 5.102 e nunca mais mexe. Resultado: refrigerantes com substituição tributária aparecem como venda comum, transferências entre lojas viram "venda", cortesias somem do controle. O sistema fiscal acumula divergência silenciosa.
Ignorar a diferença interestadual
Em região de divisa entre estados (norte de SP com sul de MG, divisa de DF com Goiás), o restaurante pode entregar pedidos cruzando a fronteira sem perceber. Tudo cadastrado como 5.102, mas operações reais sendo 6.102. Se o fisco cruzar com endereço de entrega, aparece divergência.
Cortesia sem CFOP de bonificação
Muitos restaurantes oferecem cortesia ao cliente sem registrar fiscalmente. Quando registram, usam o CFOP errado (5.102, como se fosse venda normal). O correto é 5.910 — bonificação. A diferença muda o tratamento tributário.
Devolução tratada como saída negativa
Em vez de emitir uma nota de entrada com CFOP 1.202, alguns sistemas mais antigos lançam a devolução como "venda negativa" no relatório. Isso confunde a apuração fiscal e o SPED.
Não atualizar quando muda o regime tributário
Restaurante migra do Simples para o Lucro Presumido (ou vice-versa) e o cadastro de CFOP fica congelado. Os CFOPs corretos podem variar conforme o regime — esse é um ajuste que precisa ser feito no momento da migração.
Como configurar o CFOP corretamente no sistema do restaurante
O CFOP não deve ser preenchido manualmente a cada nota. Isso é inviável no horário de pico e fonte garantida de erro. O caminho é configurar regras automáticas no sistema de gestão, baseadas em três critérios:
1. Regime tributário do restaurante
Simples Nacional usa CSOSN (não CST), e isso afeta também a escolha de CFOP em algumas operações com substituição tributária. Lucro Presumido e Real seguem regra diferente. O sistema precisa saber qual o regime do restaurante para sugerir o CFOP correto.
2. Tipo de operação
O sistema deve identificar se a venda é balcão, delivery, marketplace, devolução, transferência ou bonificação. Para cada tipo, há um CFOP padrão. A regra deve ser configurada uma vez e replicada para todas as vendas.
3. Estado de destino
A NFC-e padrão de balcão sempre é dentro do estado (5.x). Mas em operações específicas (entrega cruzando divisa, venda para empresa de outro estado, transferência interfilial), o sistema precisa identificar o estado e ajustar o CFOP de 5.x para 6.x automaticamente.
Para entender também os códigos de tributação que andam junto com o CFOP, vale ler o nosso guia sobre CST e CSOSN para restaurantes.
📚 Continue aprofundando — cluster fiscal completo do SisFood
Como o SisFood automatiza a gestão de CFOP no restaurante
Configurar CFOP no PDV é o tipo de trabalho que, mal feito, vira passivo fiscal. Bem feito, fica invisível e roda sozinho. O SisFood foi construído para a segunda opção:
Regras automáticas por tipo de operação: ao cadastrar uma venda, o sistema identifica se é balcão, delivery, transferência, devolução ou bonificação e aplica o CFOP correto sem intervenção do operador.
Identificação automática de UF de destino: em operações que cruzam estados, o sistema ajusta automaticamente o CFOP de 5.x para 6.x, evitando o erro clássico de quem opera em divisa estadual.
Configuração centralizada para redes: em restaurante com múltiplas lojas, as regras de CFOP são definidas uma vez no cadastro central e replicadas para todas as filiais — eliminando divergência entre unidades.
Validação na emissão: antes de transmitir a NFC-e para a SEFAZ, o sistema valida CFOP, NCM, CST/CSOSN e alíquotas. Notas com problema fiscal são bloqueadas antes de gerar erro de comunicação no horário de pico.
Perguntas Frequentes sobre CFOP em Restaurantes
Conclusão: CFOP automático é caixa rodando sem trava
CFOP é um daqueles assuntos que o dono do restaurante não precisa dominar tecnicamente — mas precisa garantir que o sistema domine. O caixa não pode parar para escolher código em cada venda. A apuração fiscal não pode descobrir erro só na hora da fiscalização. O contador não pode receber relatórios divergentes todo mês.
O caminho prático é configurar as regras uma vez, com o contador, e deixar o sistema rodar. Restaurante que faz isso bem ganha três coisas: caixa fluindo sem travamento de NFC-e, apuração fiscal limpa, e zero pânico em fiscalização. O custo da automação fiscal correta é muito menor que o custo de qualquer multa.
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