CFOP Restaurante 2026: Tabela Completa + Como Usar na NF-e e NFC-e

📅 Atualizado em 27 de abril de 2026 ⏱️ Leitura: 11 minutos ✍️ Por SisFood

Toda NFC-e que sai do caixa do restaurante carrega um código de 4 dígitos que muita gente nunca parou para entender: o CFOP. Errar esse código não trava a venda na hora — mas trava a vida fiscal do restaurante a médio prazo, gerando inconsistência no SPED, problema na apuração de imposto e risco de autuação.

Este guia traz a tabela CFOP para restaurantes completa, dividida pelas operações reais do dia a dia: venda no balcão, delivery, iFood, devolução, bonificação, transferência entre lojas e operação interestadual. Tudo com explicação prática, sem juridiquês.

📌 Resposta Rápida

O que é CFOP? Código Fiscal de Operações e Prestações — 4 dígitos que identificam o tipo de operação na nota fiscal.

Restaurante usa qual CFOP no balcão? 5.102 na maioria dos casos (venda dentro do estado a consumidor final).

Quando muda? Operações entre estados, devoluções, bonificações e transferências têm CFOP próprio.

O que é CFOP e como funciona em restaurantes

CFOP significa Código Fiscal de Operações e Prestações. É um código de 4 dígitos definido pelo CONFAZ (Conselho Nacional de Política Fazendária) que identifica o tipo de operação em cada item da nota fiscal.

O primeiro dígito do CFOP indica a natureza geral da operação:

1º Dígito Tipo de Operação Exemplo no Restaurante
1 Entrada dentro do estado Compra de insumo de fornecedor local
2 Entrada de outro estado Compra de bebida importada de outro estado
3 Entrada do exterior Importação de vinho ou ingrediente especial
5 Saída dentro do estado Venda no balcão e delivery local
6 Saída para outro estado Venda interestadual (raro em restaurante)
7 Saída para o exterior Exportação (não se aplica em restaurante)

Na operação típica de restaurante, 95% das notas usam CFOPs que começam com 5 (venda dentro do estado). Os outros aparecem em situações específicas: compra de fornecedor de fora (1 ou 2), devolução de cliente, transferência entre lojas da rede.

💡 Em uma frase: NCM diz O QUE você está vendendo. CFOP diz COMO você está vendendo. Os dois andam juntos em toda nota de mercadoria — um classifica o produto, o outro a operação.

Diferença entre CFOP e NCM no restaurante

Essa é uma das confusões mais comuns. Para deixar claro de uma vez:

Item NCM CFOP
O que classifica A mercadoria em si O tipo de operação
Quantos dígitos 8 dígitos 4 dígitos
Exemplo no balcão 2202.10.00 (refrigerante) 5.102 (venda no estado)
Muda conforme O produto vendido A natureza da operação e o destino
Origem Tabela TIPI / NCM Mercosul Convênio CONFAZ

Para entender de verdade: imagine vender um refrigerante de 350ml. O NCM dele é sempre 2202.10.00 — não importa para quem você vende, esse código não muda. Mas o CFOP muda: se for cliente do balcão, é 5.102. Se for venda para empresa de outro estado, é 6.102. Se for devolução, é 1.202.

Para entender melhor a parte do NCM, recomendamos a leitura do nosso guia completo sobre tabela NCM para restaurantes.

Tabela CFOP para restaurantes: códigos por operação

Esta é a parte prática. Listamos abaixo os códigos CFOP mais usados no restaurante, organizados pelo tipo de operação. Use como referência para configurar seu sistema de gestão e validar os cadastros existentes.

🛒 Vendas (Saídas)
CFOP Descrição Quando usar no restaurante
5.102 Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros (dentro do estado) Venda no balcão, delivery próprio, iFood — operação padrão
5.405 Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros sujeita ao regime de ST Venda de bebidas e produtos com substituição tributária
5.405 Venda em ST como contribuinte substituto Restaurantes que vendem refrigerantes, cervejas e produtos com ST recolhido
6.102 Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros (fora do estado) Venda interestadual a consumidor final ou empresa
5.929 Lançamento efetuado em decorrência de emissão de cupom fiscal Notas geradas a partir de cupom fiscal (caso de operação consolidada)
5.949 Outra saída de mercadoria não especificada Operações atípicas — usar com cuidado e validar com contador
↩️ Devoluções
CFOP Descrição Quando usar no restaurante
1.202 Devolução de venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros (dentro do estado) Cliente devolveu pedido — restaurante recebe a devolução
2.202 Devolução de venda de mercadoria (fora do estado) Devolução de cliente de outro estado
5.202 Devolução de compra para comercialização (saída) Restaurante devolve produto ao fornecedor (dentro do estado)
6.202 Devolução de compra para comercialização (saída interestadual) Restaurante devolve produto a fornecedor de outro estado
🎁 Bonificação, Brinde e Cortesia
CFOP Descrição Quando usar no restaurante
5.910 Remessa em bonificação, doação ou brinde (dentro do estado) Cortesia oferecida ao cliente, brinde, degustação
6.910 Remessa em bonificação, doação ou brinde (fora do estado) Brinde enviado para cliente em outro estado (raro)
5.911 Remessa de amostra grátis (dentro do estado) Amostra de produto novo para evento ou parceiro
🔄 Transferência entre Lojas (Rede)
CFOP Descrição Quando usar no restaurante
5.151 Transferência de produção do estabelecimento (dentro do estado) Cozinha central manda preparo para outra loja da rede
5.152 Transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros (dentro do estado) Loja A transfere refrigerante para loja B no mesmo estado
6.151 Transferência de produção (interestadual) Cozinha central de SP manda preparo para loja em MG
6.152 Transferência de mercadoria de terceiros (interestadual) Transferência de bebidas entre filiais de estados diferentes
📦 Compras (Entradas)
CFOP Descrição Quando usar no restaurante
1.102 Compra para comercialização (dentro do estado) Compra de insumo de fornecedor local
2.102 Compra para comercialização (fora do estado) Compra de bebida ou ingrediente de fornecedor de outro estado
1.403 Compra para comercialização sob ST (dentro do estado) Compra de produto com substituição tributária
2.403 Compra para comercialização sob ST (fora do estado) Compra interestadual com ICMS-ST
1.556 Compra de material para uso ou consumo (dentro do estado) Compra de material descartável (guardanapo, embalagem)
⚠️ Atenção: Esta é uma seleção dos CFOPs mais comuns no setor food service. A lista completa do CONFAZ tem mais de 700 códigos. Antes de configurar definitivamente o sistema do restaurante, valide os CFOPs com seu contador — variações de regime tributário (Simples, Lucro Presumido, Real) podem alterar o código correto.

CFOP em operações específicas do restaurante

Venda no balcão e atendimento no salão

Operação mais comum. O cliente consome no local e paga no caixa. A NFC-e é emitida com CFOP 5.102 para os itens de mercadoria (comida e bebida) na esmagadora maioria dos casos. Se o item tiver substituição tributária recolhida na origem (refrigerantes, cervejas), pode entrar como 5.405.

Não existe diferença de CFOP entre "comida que vai para a mesa" e "comida que sai pelo balcão". Ambas são saída de mercadoria dentro do estado.

Delivery próprio

Mesmo CFOP da venda no balcão: 5.102. O motoboy entregando no bairro vizinho não muda a natureza fiscal da operação — continua sendo venda dentro do estado a consumidor final. Se por algum motivo o entregador atravessar a divisa estadual e entregar em cidade vizinha de outro estado, aí sim vira 6.102.

Pedido pelo iFood, Rappi e marketplaces

Aqui o ponto é entender quem emite a nota. Se o restaurante emite a NFC-e do pedido vindo do marketplace (caso comum), o CFOP é o mesmo da venda direta: 5.102. O marketplace é apenas o canal — o que está sendo vendido é mercadoria do restaurante para um consumidor final.

Se o marketplace assume a emissão da nota como vendedor (modelo menos comum), aí o restaurante pode emitir nota de venda para o próprio marketplace, com CFOP diferente. Esse cenário precisa ser configurado no contrato e validado fiscalmente.

Cortesia ao cliente, brinde e degustação

Quando o restaurante oferece um item sem cobrar (cortesia para corrigir um pedido errado, brinde de aniversário, degustação de um prato novo), tecnicamente está havendo saída de mercadoria sem cobrança. O CFOP correto é 5.910 (remessa em bonificação, doação ou brinde).

Esse CFOP é frequentemente esquecido na operação. Muitos restaurantes simplesmente "não emitem nota" da cortesia, o que pode gerar inconsistência de estoque com a movimentação fiscal.

Devolução de cliente

Cliente recebeu o pedido, não gostou, devolveu. O restaurante precisa registrar essa devolução. O CFOP é 1.202 (entrada por devolução de venda dentro do estado). Para fins práticos, isso entra como uma "nota de entrada" no sistema, vinculada à nota original.

Transferência entre lojas da rede

Em redes de restaurante, é comum a cozinha central preparar molhos, carnes ou massas e enviar para as lojas. Essa movimentação não é venda — é transferência. O CFOP varia entre 5.151 (transferência de produção própria) e 5.152 (transferência de mercadoria de terceiros), dentro do mesmo estado. Para outros estados, vira 6.151 ou 6.152.

Erros comuns de CFOP em restaurantes

Em fiscalizações reais e auditorias contábeis, alguns erros aparecem com altíssima frequência. Vale conhecer:

Usar 5.102 para tudo

É o erro mais comum. O caixa cadastra todos os produtos com CFOP 5.102 e nunca mais mexe. Resultado: refrigerantes com substituição tributária aparecem como venda comum, transferências entre lojas viram "venda", cortesias somem do controle. O sistema fiscal acumula divergência silenciosa.

Ignorar a diferença interestadual

Em região de divisa entre estados (norte de SP com sul de MG, divisa de DF com Goiás), o restaurante pode entregar pedidos cruzando a fronteira sem perceber. Tudo cadastrado como 5.102, mas operações reais sendo 6.102. Se o fisco cruzar com endereço de entrega, aparece divergência.

Cortesia sem CFOP de bonificação

Muitos restaurantes oferecem cortesia ao cliente sem registrar fiscalmente. Quando registram, usam o CFOP errado (5.102, como se fosse venda normal). O correto é 5.910 — bonificação. A diferença muda o tratamento tributário.

Devolução tratada como saída negativa

Em vez de emitir uma nota de entrada com CFOP 1.202, alguns sistemas mais antigos lançam a devolução como "venda negativa" no relatório. Isso confunde a apuração fiscal e o SPED.

Não atualizar quando muda o regime tributário

Restaurante migra do Simples para o Lucro Presumido (ou vice-versa) e o cadastro de CFOP fica congelado. Os CFOPs corretos podem variar conforme o regime — esse é um ajuste que precisa ser feito no momento da migração.

⚠️ Cenário real: Rede de hamburgueria com 5 lojas operando há 3 anos com todas as transferências entre filiais classificadas como CFOP 5.102 (venda). Em fiscalização, identificou-se que essas operações deveriam ser 5.152 (transferência). A consequência foi a apuração de ICMS sobre operações que tecnicamente não eram vendas, gerando passivo fiscal relevante. Custo de ter usado o CFOP correto desde o início: zero.

Como configurar o CFOP corretamente no sistema do restaurante

O CFOP não deve ser preenchido manualmente a cada nota. Isso é inviável no horário de pico e fonte garantida de erro. O caminho é configurar regras automáticas no sistema de gestão, baseadas em três critérios:

1. Regime tributário do restaurante

Simples Nacional usa CSOSN (não CST), e isso afeta também a escolha de CFOP em algumas operações com substituição tributária. Lucro Presumido e Real seguem regra diferente. O sistema precisa saber qual o regime do restaurante para sugerir o CFOP correto.

2. Tipo de operação

O sistema deve identificar se a venda é balcão, delivery, marketplace, devolução, transferência ou bonificação. Para cada tipo, há um CFOP padrão. A regra deve ser configurada uma vez e replicada para todas as vendas.

3. Estado de destino

A NFC-e padrão de balcão sempre é dentro do estado (5.x). Mas em operações específicas (entrega cruzando divisa, venda para empresa de outro estado, transferência interfilial), o sistema precisa identificar o estado e ajustar o CFOP de 5.x para 6.x automaticamente.

Para entender também os códigos de tributação que andam junto com o CFOP, vale ler o nosso guia sobre CST e CSOSN para restaurantes.

📚 Continue aprofundando — cluster fiscal completo do SisFood

Como o SisFood automatiza a gestão de CFOP no restaurante

Configurar CFOP no PDV é o tipo de trabalho que, mal feito, vira passivo fiscal. Bem feito, fica invisível e roda sozinho. O SisFood foi construído para a segunda opção:

Regras automáticas por tipo de operação: ao cadastrar uma venda, o sistema identifica se é balcão, delivery, transferência, devolução ou bonificação e aplica o CFOP correto sem intervenção do operador.

Identificação automática de UF de destino: em operações que cruzam estados, o sistema ajusta automaticamente o CFOP de 5.x para 6.x, evitando o erro clássico de quem opera em divisa estadual.

Configuração centralizada para redes: em restaurante com múltiplas lojas, as regras de CFOP são definidas uma vez no cadastro central e replicadas para todas as filiais — eliminando divergência entre unidades.

Validação na emissão: antes de transmitir a NFC-e para a SEFAZ, o sistema valida CFOP, NCM, CST/CSOSN e alíquotas. Notas com problema fiscal são bloqueadas antes de gerar erro de comunicação no horário de pico.

Perguntas Frequentes sobre CFOP em Restaurantes

O que é CFOP em restaurante?
CFOP é o Código Fiscal de Operações e Prestações, um código de 4 dígitos que identifica O TIPO de operação realizada na nota fiscal. No restaurante, ele indica se a venda é dentro do estado, fora do estado, devolução, bonificação ou outra operação. Toda NFC-e ou NF-e emitida precisa de CFOP em cada item.
Qual o CFOP usado em restaurante para venda no balcão?
Para venda direta a consumidor final dentro do mesmo estado (operação típica de restaurante), o CFOP usado é 5.102 (venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros) ou 5.405 (venda em substituição tributária), dependendo do regime e do produto. Para Simples Nacional, normalmente é 5.102.
CFOP é a mesma coisa que NCM?
Não. NCM classifica O QUE está sendo vendido (a mercadoria - hambúrguer, refrigerante, marmitex). CFOP classifica COMO está sendo vendido (venda interna, interestadual, devolução, bonificação). Toda nota fiscal de mercadoria precisa dos dois ao mesmo tempo.
Qual o CFOP para venda pelo iFood?
Quando o restaurante emite a nota da venda feita pelo iFood (modelo NFC-e), o CFOP é o mesmo de uma venda direta a consumidor final: 5.102 para venda dentro do estado. O iFood é apenas o canal de venda - não muda a natureza fiscal da operação. Quem emite a nota é o restaurante.
Qual o CFOP de devolução em restaurante?
Quando o cliente devolve um produto e o restaurante recebe a devolução, o CFOP é 1.202 (devolução de venda dentro do estado) ou 2.202 (devolução de venda fora do estado). Quando o restaurante devolve mercadoria ao fornecedor, o CFOP é 5.202 ou 6.202.
CFOP muda conforme o estado de destino?
Sim. Operações dentro do estado começam com 5 (saída) ou 1 (entrada). Operações entre estados diferentes começam com 6 (saída) ou 2 (entrada). Por exemplo: venda no balcão dentro de SP é 5.102; venda interestadual de SP para MG é 6.102.
Qual CFOP usar em bonificação ou cortesia ao cliente?
Para bonificação (produto entregue sem cobrança como cortesia, brinde ou degustação), o CFOP é 5.910 (remessa em bonificação, doação ou brinde - dentro do estado) ou 6.910 (interestadual). É um CFOP que aparece pouco no dia a dia do restaurante mas precisa ser usado corretamente para evitar problema fiscal.
O sistema do restaurante deve preencher o CFOP automaticamente?
Sim. Um sistema de gestão para restaurante moderno preenche o CFOP automaticamente baseado no tipo de operação (venda balcão, delivery, devolução), no estado de destino e no regime tributário. Preenchimento manual no horário de pico é receita para erro - o caixa não tem como decidir CFOP a cada nota.

Conclusão: CFOP automático é caixa rodando sem trava

CFOP é um daqueles assuntos que o dono do restaurante não precisa dominar tecnicamente — mas precisa garantir que o sistema domine. O caixa não pode parar para escolher código em cada venda. A apuração fiscal não pode descobrir erro só na hora da fiscalização. O contador não pode receber relatórios divergentes todo mês.

O caminho prático é configurar as regras uma vez, com o contador, e deixar o sistema rodar. Restaurante que faz isso bem ganha três coisas: caixa fluindo sem travamento de NFC-e, apuração fiscal limpa, e zero pânico em fiscalização. O custo da automação fiscal correta é muito menor que o custo de qualquer multa.

Tenha um sistema fiscal que funciona sozinho

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