Simples Nacional ou Regime Normal: Qual Vale Mais Para o Restaurante na Reforma Tributária

📅 Atualizado em 30/04/2026 ⏱️ Leitura: 13 minutos 🏷️ Fiscal · Simples · Regime Normal
Simples Nacional vs Regime Normal no restaurante na reforma tributária

Com a reforma tributária, o restaurante agora escolhe entre três regimes: Simples Nacional puro (até R$ 4,8M, DAS único, sem crédito de IBS/CBS), Simples Híbrido (mantém o DAS para tributos antigos mas recolhe IBS/CBS no normal, com crédito de insumos) e Lucro Presumido. Para restaurante 100% B2C com baixo volume de insumos tributados, Simples puro segue valendo. Restaurante com clientes PJ ou alto volume de compras tributadas tende a ganhar margem no Simples Híbrido — e quem não simular agora corre risco de pagar mais imposto que o necessário.

Por mais de uma década, o Simples Nacional foi a escolha óbvia de quase todo restaurante. Carga unificada, DAS único, contador tranquilo, dono dormindo bem. Com a reforma tributária, esse retrato continua válido para boa parte das casas — mas a chegada do Simples Híbrido e o redesenho do regime normal de IBS/CBS abriram cenários em que continuar no Simples sem adaptação (ou sair dele) deixa dinheiro na mesa. Em alguns perfis de operação, a diferença entre escolher certo ou errado o regime passa de R$ 5 mil de imposto economizado por mês — o tipo de impacto que paga, sozinho, a equipe de cozinha de um sábado.

O conteúdo a seguir é o comparativo prático, com simulação numérica em três cenários, para o dono decidir junto com o contador. A análise percorre os três regimes — Simples puro, Simples Híbrido e Lucro Presumido — mostra quando cada um vale e fecha com uma tabela de decisão por perfil de operação. Tudo sustentado por números, não por opinião.

Quais são os três regimes tributários que importam para o restaurante em 2026?

Antes da reforma, o restaurante escolhia basicamente entre Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real. Com a LC 214/2025, surgiu uma quarta opção que mistura características — o Simples Híbrido. Resumo:

Simples Nacional puro

Até R$ 4,8 milhões/ano
  • DAS único mensal
  • Alíquota progressiva 6% a 33%
  • IBS/CBS recolhidos dentro do DAS
  • Cliente PJ não se credita de IBS/CBS
  • Obrigação acessória mínima

Simples Híbrido

Até R$ 4,8 milhões/ano
  • DAS para IRPJ, CSLL, ICMS, ISS
  • IBS/CBS pelo regime normal por fora
  • Cliente PJ se credita de IBS/CBS
  • Crédito amplo de insumos
  • Apuração mais complexa (precisa sistema)

Lucro Presumido

Até R$ 78 milhões/ano
  • IRPJ e CSLL sobre lucro presumido (8%)
  • IBS/CBS pelo regime normal
  • Crédito amplo de IBS/CBS de insumos
  • Cliente PJ se credita
  • Recomendado para restaurantes médios e grandes

Lucro Real

Acima de R$ 78 milhões ou opcional
  • IRPJ e CSLL sobre lucro real apurado
  • IBS/CBS regime normal
  • Crédito amplo
  • Apuração mais sofisticada
  • Faz sentido em redes grandes ou margem baixa

Como fica a simulação prática de um restaurante de R$ 200 mil/mês nos três regimes?

Para tornar a decisão concreta, vamos simular um restaurante hipotético com:

📊 Cenário 1 — Simples Nacional puro (Anexo III, faixa 4)

Faturamento: R$ 200.000,00 → Alíquota efetiva estimada: ~14% (Anexo III, faixa de R$ 1,8 mi a R$ 3,6 mi)

DAS único: R$ 28.000,00

Cliente PJ não se credita. Carga simples e previsível.

Carga tributária total: R$ 28.000,00 (14,0%)

📊 Cenário 2 — Simples Híbrido

Simples (IRPJ + CSLL + ICMS + ISS) — alíquota efetiva ~6,5% sobre R$ 200.000,00 = R$ 13.000,00

IBS+CBS regime normal sobre R$ 200.000,00 (com redução 60% para refeição salão e delivery):

Crédito de insumos (IBS+CBS pago em compras de R$ 80k a 10,6% efetivo): − R$ 8.480,00

IBS+CBS líquido a recolher: R$ 15.900,00

Carga tributária total: R$ 28.900,00 (14,5%) — mas cliente PJ se credita

📊 Cenário 3 — Lucro Presumido

IRPJ (8% presumido × 15%) + CSLL (12% presumido × 9%) sobre R$ 200.000,00 = R$ 4.560,00

IBS+CBS bruto (mesma conta do cenário 2): R$ 24.380,00

Crédito de insumos: − R$ 8.480,00

IBS+CBS líquido: R$ 15.900,00

Sem ICMS/ISS na transição final. Cliente PJ se credita.

Carga tributária total: R$ 20.460,00 (10,2%)

🎯 Leitura da simulação

No cenário hipotético acima (alíquotas cheias 2033, restaurante de R$ 200k/mês com 40% de insumo com nota), o Lucro Presumido bate o Simples puro em ~R$ 7.500/mês (R$ 90 mil/ano). Mas atenção: a simulação considera crédito amplo de IBS/CBS, que só funciona se o restaurante tiver ficha técnica e nota fiscal de fornecedor. Sem isso, o Lucro Presumido pode virar o pior cenário.

O Simples Híbrido nesta simulação fica próximo do Simples puro em carga total — mas vence quando o cliente PJ representa 30%+ da receita, porque o crédito que você gera para o cliente vira preço competitivo na próxima cotação.

⚠️ Os números acima são ilustrativos. A alíquota efetiva real do Simples depende do Anexo aplicável e da faixa de faturamento. As alíquotas de IBS/CBS para alimentação ainda estão em regulamentação. Use essa estrutura como base para simular com seu contador, com seus números reais — não copie e aplique direto. A simulação certa muda decisão.

Quando o Simples Nacional puro segue sendo a melhor escolha?

Apesar do hype em torno do Simples Híbrido, o Simples Nacional puro segue como melhor escolha para a maioria dos restaurantes brasileiros. Os perfis típicos:

Lanchonete de bairro 100% PF

Cliente final paga e leva. Não há quem peça crédito de IBS/CBS. Mudar de regime só adiciona complexidade sem retorno.

Bar de balcão tradicional

Operação simples, cardápio enxuto, cliente recorrente PF. Carga do Simples Anexo III fica próxima da carga do regime normal com redução de 60% — sem o overhead contábil.

Pizzaria delivery via iFood/Rappi

Cliente PF via marketplace. Margem fina, fluxo de venda alto, complexidade já vem do app. Adicionar Simples Híbrido vira fonte de erro.

Restaurante por quilo no horário comercial

Cliente PF, ticket médio R$ 35, alta rotação. Simples Anexo III com a alíquota da faixa atende bem.

Cafeteria, padaria, casa de chá

Cliente PF predominante, ticket baixo, mix variado. Simples puro atende.

Quando o restaurante deve considerar Simples Híbrido ou regime normal?

Os sinais que indicam que o Simples puro está deixando dinheiro na mesa:

Sinal 1 — Cliente PJ representa 25%+ da receita

Restaurante que vende almoço corporativo, marmita para empresa, evento empresarial, coffee break. O cliente PJ quer e precisa do crédito de IBS/CBS. No Simples puro, você não emite nota com crédito — perde competitividade na cotação.

Sinal 2 — Faturamento se aproxima do teto

Acima de R$ 3,6 milhões/ano, a alíquota do Simples Anexo III começa a ficar pesada (passa de 19%). Quando isso encontra a possibilidade de creditar IBS/CBS pago em insumos, o regime normal fica competitivo.

Sinal 3 — Compras predominantemente com nota fiscal

Restaurante que compra de distribuidor com nota, frigorífico, atacado, hortifruti formal — cada nota é crédito de IBS/CBS no regime normal. Quem compra mercadinho e feira sem nota perde o argumento.

Sinal 4 — Ramo de eventos / catering / buffet

Operação B2B por natureza. Cliente PJ é a regra, não a exceção. Simples Híbrido ou Lucro Presumido normalmente vence a simulação.

Sinal 5 — Rede com várias unidades

Faturamento agregado pode ultrapassar o teto. Estrutura corporativa pode aproveitar crédito de matriz/filial. Lucro Presumido com rede de PDV unificado (como o SISFOOD entrega) vira solução natural.

Quer rodar essa simulação com os seus números?

O SISFOOD gera relatórios separados de receita por origem (salão, delivery, marketplace, marmita PJ) e de compra com nota fiscal — exatamente o que o contador precisa para simular Simples puro, Simples Híbrido e Lucro Presumido sem você cruzar planilha. Tudo no PDV, atualizado em tempo real.

Conheça o SISFOOD →

Qual o regime tributário ideal por perfil de restaurante?

Perfil de operação Faturamento típico Regime recomendado
Lanchonete de bairro PF até R$ 1,5 mi/ano Simples Nacional puro
Bar tradicional / botequim até R$ 2,5 mi/ano Simples Nacional puro
Pizzaria delivery iFood até R$ 3 mi/ano Simples Nacional puro
Restaurante por quilo até R$ 3 mi/ano Simples Nacional puro
Restaurante corporativo (PJ ≥ 25%) R$ 1,5 mi a R$ 4,8 mi/ano Simples Híbrido
Marmita corporativa B2B qualquer Simples Híbrido ou Lucro Presumido
Rede de fast food (várias unidades) R$ 5 mi+/ano agregado Lucro Presumido
Restaurante de alta gastronomia R$ 3 mi+/ano com PJ relevante Simples Híbrido ou Lucro Presumido
Catering / buffet de eventos qualquer Simples Híbrido ou Lucro Presumido
Cafeteria / padaria de bairro até R$ 2 mi/ano Simples Nacional puro
Cervejaria artesanal com tap room R$ 1 mi a R$ 4,8 mi/ano Simples Híbrido (devido a Imposto Seletivo)
Rede acima do teto R$ 4,8 mi+/ano Lucro Presumido (ou Real, conforme margem)

Quais os 5 erros mais comuns na escolha do regime tributário do restaurante?

1. Decidir só pela alíquota nominal

"Simples é 14%, regime normal é 26,5% — então Simples vence sempre". Errado. O regime normal tem crédito amplo de insumo (10,6% efetivo no salão com redução de 60%), e o cliente PJ se credita. A simulação real, considerando insumos com nota e perfil de cliente, muda a foto.

2. Não considerar o cliente PJ na conta

Restaurante corporativo no Simples puro perde cotações para concorrente Simples Híbrido porque o cliente da empresa paga menos efetivo. Quem ignora isso vê a receita migrar sem entender o motivo.

3. Migrar de regime sem ter ficha técnica

Lucro Presumido sem ficha técnica não credita IBS/CBS de forma consistente. A SEFAZ pode glosar o crédito na fiscalização. Sair do Simples sem sistema de gestão integrado vira armadilha.

4. Trocar de regime no meio do ano sem planejamento

A mudança de regime tem janela específica (geralmente em janeiro). Trocar sem planejar gera apuração híbrida no ano fiscal e dor no contador.

5. Ignorar o Simples Híbrido

Para restaurante que está confortável no teto do Simples mas vende muito para PJ, o Simples Híbrido é o "best of both worlds" — e ainda é pouco conhecido em 2026. Quem entende e adota cedo ganha competitividade.

Como o SisFood apoia a decisão de regime tributário?

A escolha de regime é decisão do dono com o contador — mas o sistema PDV é quem entrega os dados. O SISFOOD é a plataforma de gestão e automação para restaurantes que gera, sem esforço, os relatórios que o contador pede para simular regime:

Com isso, a conversa com o contador para revisar regime tributário em 2026 sai de "vamos ver o que dá" para "rodamos a simulação nos três cenários, aqui está a recomendação". Sem planilha, sem cruzamento manual, sem pegar dado do iFood, do PDV e da contabilidade em três sistemas diferentes.

Perguntas Frequentes — Simples Nacional vs Regime Normal

O Simples Nacional acaba com a reforma tributária?
Não. O Simples Nacional continua existindo após a reforma tributária. O que muda é que o restaurante optante ganha uma opção nova: continuar no Simples puro (recolhimento unificado pelo DAS) ou aderir ao Simples Híbrido, em que paga IBS e CBS por fora para gerar crédito ao cliente pessoa jurídica. A escolha depende do perfil de cliente do restaurante.
O que é Simples Híbrido na reforma tributária?
O Simples Híbrido é uma opção criada pela LC 214/2025 para restaurantes (e outras MPEs) que vendem para clientes PJ. O restaurante continua no Simples Nacional para a maior parte da operação (recolhimento pelo DAS), mas opta por recolher IBS e CBS pelo regime normal — para que o cliente PJ possa se creditar dos tributos na nota. Ganha competitividade em cotações corporativas, sem perder o teto do Simples.
Quando vale a pena restaurante sair do Simples Nacional?
Vale a pena sair do Simples Nacional quando: (1) faturamento ultrapassa R$ 4,8 milhões anuais (limite obrigatório); (2) maior parte das vendas é para cliente PJ que pede crédito de IBS/CBS — caso típico de restaurante corporativo, marmita PJ, eventos; (3) restaurante tem grande volume de compras com nota fiscal e pode aproveitar crédito amplo do regime normal. Para lanchonete de bairro, bar de balcão e delivery PF, o Simples puro normalmente segue mais vantajoso.
Restaurante no Simples paga IBS e CBS?
No Simples puro, o restaurante recolhe IBS e CBS dentro do DAS — não paga separadamente. A NFC-e em 2026 envia os campos de IBS/CBS com indicador de regime simplificado e valores zerados na apuração efetiva. No Simples Híbrido, o restaurante recolhe IBS e CBS por fora do DAS (no regime normal), mantendo apenas IRPJ, CSLL, ICMS e ISS no Simples — para gerar crédito ao cliente PJ.
Quanto restaurante paga no Simples Nacional em 2026?
Restaurante (CNAE de bar, restaurante, lanchonete) está no Anexo III ou Anexo I do Simples Nacional, dependendo da atividade preponderante (serviço de alimentação ou comércio). As alíquotas variam de 6% (faixa inicial) a 33% (faixa final) sobre o faturamento, conforme tabela progressiva. Em 2026, com a reforma em transição, a alíquota efetiva no Simples não muda — apenas a NFC-e ganha campos novos.
Lucro Presumido vale a pena para restaurante depois da reforma?
Para restaurantes acima do teto do Simples (acima de R$ 4,8 milhões anuais) ou com forte venda corporativa, o Lucro Presumido pode ser vantajoso porque o regime normal de IBS/CBS permite crédito amplo de insumos. Antes da reforma, Lucro Presumido era pesado para alimentação por causa da carga acumulada de PIS/COFINS/ICMS/ISS. Com IBS/CBS não cumulativos e redução de 60% para alimentação, o regime fica competitivo. Simulação com contador é obrigatória.
Restaurante que vende para iFood e cliente PF deve ficar no Simples?
Sim, na maior parte dos casos. Cliente final via iFood ou Rappi não usa crédito de IBS/CBS — ele paga e leva. Para esse perfil, o Simples Nacional puro segue a melhor escolha: alíquota efetiva próxima da carga reduzida do regime normal, mas com obrigação acessória mínima e DAS único. Mudar de regime sem ter cliente PJ relevante é perder simplicidade sem ganhar nada.
Como o sistema PDV trata os três regimes na reforma?
O sistema PDV precisa identificar o regime do CNPJ (Simples puro, Simples Híbrido, Lucro Presumido, Lucro Real) e aplicar o cClassTrib correto, calcular IBS/CBS quando aplicável, separar a receita por regime na apuração e gerar relatórios prontos para o contador. No SISFOOD, basta configurar o regime na empresa uma vez — o sistema cuida do resto. Mudar de regime durante o ano é apenas atualizar a configuração, sem reconfigurar produto a produto.
⚠️ Consulta Orientativa
As alíquotas e cenários simulados neste artigo são ilustrativos, baseados na regulamentação conhecida em 30/04/2026, e podem ser ajustados conforme atos do Comitê Gestor do IBS, da Receita Federal e dos Anexos do Simples Nacional revisados. A escolha de regime tributário exige análise específica com contador, considerando o CNAE, o faturamento real, o perfil de cliente e o histórico de compras com nota fiscal. Sempre simule com seu contador antes de qualquer migração. Última atualização: 30/04/2026.

Aprofunde-se nos temas do cluster

Decisão de regime começa com dado limpo — e dado limpo começa no PDV

O SISFOOD é a plataforma de gestão e automação para restaurantes que entrega os relatórios certos para a conversa com o contador: receita por origem, receita por tipo de cliente, compras com nota e ficha técnica integrada. Você decide com base em número, não em achismo. E o sistema se adapta ao regime escolhido, sem refazer cadastro.

Quero conhecer o SISFOOD →

Vendas via WhatsApp:

Segunda à sexta das 10h às 19h