Imposto Seletivo em Bebidas: Como Vai Afetar Bares e Restaurantes em 2027

📅 Atualizado em 30/04/2026 ⏱️ Leitura: 11 minutos 🏷️ Fiscal · Imposto Seletivo · Bebidas
Imposto Seletivo em bebidas: cerveja, refrigerante, vinho e destilados no bar

O Imposto Seletivo (IS) é o "imposto do pecado" criado pela EC 132/2023 e regulamentado pela LC 214/2025. Entra em vigor em 1º de janeiro de 2027 e atinge bebidas alcoólicas (cerveja, vinho, destilados) e bebidas açucaradas (refrigerante regular, energético com açúcar). A alíquota é progressiva: quanto mais álcool ou açúcar, maior o imposto. Pequenos produtores têm alíquotas moduladas. O bar não recolhe direto — vem embutido no preço de compra, e quem não revisar o cardápio agora vai descobrir margem menor já em fevereiro de 2027.

Janeiro de 2027 vira a chave para todo bar, lanchonete e restaurante que vende bebida no Brasil. É quando entra em vigor o Imposto Seletivo, o "imposto do pecado", criado pela reforma tributária para encarecer produtos considerados nocivos à saúde. Cerveja, vinho, destilados, refrigerante regular e bebidas açucaradas passam a pagar uma alíquota extra que simplesmente não existe hoje — e o efeito disso aparece direto no custo de compra do bar.

O bar não recolhe o IS diretamente: ele já vem embutido no preço do distribuidor. O impacto, porém, é o mesmo: preço de aquisição sobe, margem aperta e o cardápio precisa ser revisto. Quem trabalha com cerveja artesanal de alto teor alcoólico ou refrigerante regular vai sentir mais. Operações que ajustarem precificação e mix de cardápio antes da virada simplesmente não veem a margem cair. As próximas seções mapeiam alíquotas, bebidas atingidas, alíquotas moduladas para pequeno produtor e o que o PDV precisa estar fazendo desde já.

O que é o Imposto Seletivo na reforma tributária?

O Imposto Seletivo foi criado pela Emenda Constitucional 132/2023 e regulamentado pela Lei Complementar 214/2025. É um tributo de competência federal que incide sobre bens e serviços considerados nocivos à saúde ou ao meio ambiente. Ganhou o apelido de "imposto do pecado" por se inspirar no sin tax internacional já adotado em outros países.

Em 2027, o IS substitui parcialmente o IPI nessas categorias: o IPI dos produtos sujeitos ao seletivo é zerado, e o IS assume com folga a função de tributar com mais peso. A lógica geral é direta:

Vigência do Imposto Seletivo
A partir de 1º de janeiro de 2027

Em 2026 não incide, mas o sistema PDV deve enviar cClassTrib correto para cada bebida atingida — quando a alíquota entrar em 2027, o cálculo é automático.

Quais bebidas pagam Imposto Seletivo no restaurante e no bar?

O bar é, ao lado do cigarro, a categoria mais atingida pelo IS. O mapa dos NCMs afetados ficou assim:

NCM 2203

Cerveja com álcool

Pilsen, Lager, IPA, Stout, Porter, cerveja artesanal e importada. Alíquota progressiva por teor alcoólico.

NCM 2204

Vinho

Vinho de uvas frescas, branco, tinto, rosé, espumante. IS por volume e teor alcoólico.

NCM 2205

Vermute

Vinho aromatizado (Cinzano, Martini). IS calculado de forma similar ao vinho.

NCM 2206

Outras bebidas fermentadas

Sidra, hidromel, saquê, fermentado de fruta. IS por volume e teor alcoólico.

NCM 2208

Destilados

Cachaça, vodka, gin, uísque, whisky, rum, tequila, conhaque, licor. IS alto por alto teor alcoólico.

NCM 2202

Refrigerante e bebida açucarada

Coca, Pepsi, Guaraná, Fanta, Sprite, suco de fruta industrial com açúcar adicionado. IS por teor de açúcar.

NCM 2202.91 / 2201

Cerveja sem álcool e água mineral

Heineken 0.0, Brahma Zero, água mineral, água com gás. Não pagam Imposto Seletivo.

NCM 2202 (zero açúcar)

Refrigerante diet/zero

Coca Zero, Pepsi Black, Guaraná Zero. IS reduzido ou zerado, conforme regulamento.

O detalhe completo do NCM da cerveja, com EX da TIPI e CESTs por tipo, está em: NCM da cerveja: 2203.00.00 e Imposto Seletivo. E o do refrigerante em: NCM do refrigerante e bebida açucarada.

Como o Imposto Seletivo é calculado em cada bebida?

A LC 214/2025 estabelece três bases de cálculo distintas para o IS em bebidas, dependendo da categoria:

Cerveja, vinho e destilados — IS por teor alcoólico

A alíquota é progressiva: quanto maior o teor alcoólico volumétrico (% ABV), maior o IS. A regulamentação ainda está sendo consolidada pela Receita Federal, mas a estrutura prevista é:

Tipo de bebida Teor alcoólico típico Faixa estimada de IS
Cerveja sem álcool ≤ 0,5% 0% (não incide)
Cerveja Pilsen comum 4,5 a 5% Faixa baixa
Cerveja IPA / APA 6 a 8% Faixa média
Cerveja Imperial Stout / Barley Wine 10 a 14% Faixa alta
Vinho de mesa 11 a 13% Faixa média-alta
Cachaça / vodka / gin 38 a 45% Faixa alta
Uísque / conhaque 40 a 50% Faixa muito alta

Refrigerante e bebida açucarada — IS por teor de açúcar

A lógica de progressão se repete: quanto mais açúcar adicionado por 100 ml, maior o IS. Refrigerante regular (Coca-Cola normal, Guaraná Antarctica) tende a pagar IS cheio. As versões zero, diet ou light devem ficar com IS reduzido ou zerado. Suco industrial com açúcar adicionado entra; suco 100% fruta natural fica de fora.

Pequeno produtor — alíquotas moduladas

A LC 214/2025 prevê tratamento favorecido para microcervejarias, vinícolas pequenas, cachaçarias artesanais e produtores até determinado volume anual. A intenção é não esmagar o artesanal sob a mesma carga aplicada à indústria de massa. Vale atenção do bar: ao comprar cerveja artesanal de microprodutor, o IS embutido no preço pode ser menor — mas o cadastro do produto no PDV precisa registrar essa origem para que o crédito de CBS e IBS saia correto na NFC-e.

Qual o impacto real do Imposto Seletivo no preço de bebida do bar?

Esta é a parte que conversa direto com o caixa do bar: o IS vai puxar o preço de compra. As estimativas a seguir partem dos estudos preliminares do Ministério da Fazenda:

Em linguagem de operação: o cardápio de bebida do bar precisa ser revisto produto a produto antes de janeiro de 2027. Quem deixar para virar a chave só na virada do ano deve conviver com prejuízo silencioso por dois ou três meses até descobrir onde a margem evaporou.

💡 Estratégia operacional: faça hoje uma simulação de cardápio com o Imposto Seletivo embutido. No SISFOOD, isso é simples: cada produto tem custo de aquisição rastreado, e você pode rodar relatório por margem antes e depois do IS. Sem planilha paralela. Bar que faz isso entre maio e novembro de 2026 chega em 2027 com mix ajustado, preço corrigido e cliente já habituado.

Qual o cronograma do Imposto Seletivo em bebidas?

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Como o Imposto Seletivo afeta perfis diferentes de operação?

Bar tradicional com forte cardápio de cerveja Pilsen

Mix dominado por Brahma, Skol e Itaipava: aumento moderado no custo de compra. Estratégia recomendada: repassar parcialmente o aumento, segurar o cliente fiel e comunicar como "ajuste tributário 2027". O frequentador habitual costuma absorver um reajuste de janeiro como aumento sazonal.

Cervejaria artesanal com tap room

Mix com IPA 6%, Stout 8%, sour 5% e ocasional Imperial Stout 11%: o Imperial Stout sofre aumento expressivo. Estratégia recomendada: revisar a produção do Imperial Stout para volume menor com preço premium aceito, manter o ritmo da IPA e montar combos com a sour para sustentar o ticket sem esbarrar no IS mais alto.

Restaurante com carta de vinhos

Aumento médio nos vinhos de mesa (11-13% de álcool). Estratégia recomendada: renegociar com o importador para revisar o custo de aquisição, ajustar margem por taça em vez de por garrafa e reposicionar a comunicação em torno de harmonização, deslocando o foco do preço.

Lanchonete com refrigerante de delivery

70% das vendas em refrigerante regular (Coca-Cola, Guaraná): aumento moderado, mas com volume alto. Estratégia recomendada: oferecer combo com refrigerante zero (sem IS ou com IS reduzido), incluir suco natural como alternativa e ajustar o preço base do combo para absorver o impacto.

Quais são os 5 erros mais comuns sobre o Imposto Seletivo no bar e restaurante?

1. "Não me afeta porque eu não recolho IS"

É verdade que o IS é cobrado da indústria, mas o aumento chega ao bar pelo preço de aquisição. Quem ignora esse repasse silencioso costuma ver a margem encolher mês a mês sem entender o motivo.

2. Tratar cerveja com álcool e cerveja sem álcool igual no PDV

NCM 2203 (com álcool) paga IS; NCM 2202.91 (sem álcool) não paga. Cadastrar tudo na mesma categoria gera erro de classificação e tratamento fiscal incorreto na NFC-e desde a primeira venda.

3. Esquecer do refrigerante zero como alternativa

Em 2027, o refrigerante zero, diet ou light fica relativamente mais barato que o regular. Cardápio que não destaca essa opção perde a chance de segurar o cliente mais sensível a preço.

4. Não revisar margem por produto

O aumento médio do IS é apenas média: alguns produtos sobem bem mais, outros bem menos. Bar que ajusta preço uniformemente acaba perdendo nos itens em que o IS subiu pouco e não cobre a perda dos que subiram muito.

5. Deixar para revisar cadastro em janeiro de 2027

Atualizar 800 produtos justamente na virada do ano é receita certa para erro. Sistema de gestão para restaurante já atualizado entrega categorias com IS pré-mapeado — cadastra-se uma vez, e o sistema cuida do restante quando o tributo entrar em vigor.

Como o SisFood trata o Imposto Seletivo na operação do bar?

O SISFOOD foi atualizado em 2026 com tratamento específico para Imposto Seletivo. Na prática:

Perguntas Frequentes — Imposto Seletivo em Bebidas

O que é o Imposto Seletivo na reforma tributária?
O Imposto Seletivo (IS) é o tributo extra criado pela reforma tributária (LC 214/2025) sobre bens e serviços considerados nocivos à saúde ou ao meio ambiente — ficou conhecido como "imposto do pecado". Para o restaurante, atinge bebidas alcoólicas (cerveja, vinho, destilados), bebidas açucaradas (refrigerante, suco industrial), cigarros e veículos poluentes. Entra em vigor em janeiro de 2027.
Quando começa o Imposto Seletivo em bebidas?
O Imposto Seletivo em bebidas começa em janeiro de 2027. Em 2026 ainda não incide, mas o sistema PDV precisa estar pronto para tratá-lo automaticamente. Junto da entrada do IS em 2027, o IPI sobre as mesmas bebidas é zerado — o IS substitui com folga, na maioria dos casos com aumento real de carga.
Quais bebidas pagam Imposto Seletivo no bar e restaurante?
As bebidas atingidas pelo Imposto Seletivo são: cerveja com álcool (NCM 2203), vinho (NCM 2204), vermutes (NCM 2205), outras bebidas fermentadas como sidra (NCM 2206), destilados como cachaça, vodka, gin, uísque (NCM 2208), refrigerantes e bebidas açucaradas (NCM 2202). Cerveja sem álcool e água mineral não pagam IS.
O bar paga Imposto Seletivo diretamente?
Não. O Imposto Seletivo é cobrado da indústria (cervejaria, refrigeradora, destilaria) ou do importador, na primeira saída. O bar revendedor não recolhe IS, mas absorve o impacto no preço de compra do distribuidor — que repassa o aumento. O resultado prático: cerveja, refrigerante e destilados ficam mais caros para o bar comprar e consequentemente para vender.
Como o Imposto Seletivo é calculado em cerveja?
Para cerveja com álcool (NCM 2203.00.00), o Imposto Seletivo é progressivo por teor alcoólico — quanto mais álcool, maior o IS. Pilsen comum (4,5% álcool) tem IS moderado; IPA (6 a 8%) tem IS mais alto; Imperial Stout artesanal (10 a 12%) tem IS bem maior. Pequenos produtores (cervejarias artesanais) terão alíquotas moduladas pelo volume de produção, conforme a LC 214/2025.
Refrigerante zero açúcar paga Imposto Seletivo?
A regulamentação ainda está em discussão, mas a tendência é que refrigerantes diet/zero/light (sem açúcar adicionado) tenham alíquota reduzida ou zerada de Imposto Seletivo. A lógica do IS é desestimular o consumo de açúcar, então quanto menor o teor, menor o IS. Refrigerante regular com açúcar terá IS cheio. Bar e restaurante devem rever mix de bebidas no cardápio antes de 2027.
Cerveja artesanal vai ter o mesmo Imposto Seletivo da industrial?
Não, em parte. O NCM é o mesmo (2203.00.00), mas a LC 214/2025 prevê alíquotas moduladas para pequenos produtores de bebidas alcoólicas — cervejarias artesanais com produção até determinado volume terão IS reduzido. Já cervejas artesanais Imperial Stout, Barley Wine ou Belgian Strong, por terem alto teor alcoólico, podem ter IS maior do que Pilsen comum, mesmo no regime de pequeno produtor.
Como o sistema PDV trata o Imposto Seletivo em 2026 e 2027?
Em 2026, o Imposto Seletivo ainda não incide, mas o sistema PDV precisa enviar o cClassTrib correto para cada bebida sujeita ao IS — assim, quando a alíquota entrar em 2027, basta o sistema acionar o cálculo. Em 2027, a NFC-e do bar precisa: identificar o produto pelo NCM, aplicar a alíquota progressiva por teor alcoólico (cerveja) ou por teor de açúcar (refrigerante), e enviar o valor à SEFAZ. O SISFOOD já tem isso pré-configurado por categoria.
⚠️ Consulta Orientativa
As alíquotas específicas do Imposto Seletivo por bebida ainda estão sendo regulamentadas pela Receita Federal e pelo Comitê Gestor. As faixas indicadas neste artigo (baixa, média, alta) refletem a estrutura prevista pela LC 214/2025, mas os percentuais oficiais devem ser publicados ao longo de 2026. Sempre confirme com seu contador e acompanhe o site oficial da reforma tributária. Última atualização: 30/04/2026.

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Bar que entra em 2027 com cardápio simulado tem dois meses de vantagem

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